Como a vida muda. E como mudam as pessoas. E os sonhos. Um dia você acorda e percebe que algo mudou dentro de você. E às vezes também do lado de fora. Muitas ou poucas, pequenas ou grandes, as transformações aconteceram. Elas surgiram aos poucos – ou será que de repente? – naqueles tantos dias que você passou em busca dos sonhos que nunca mudam, ao lado daqueles que você mais ama. Ou foram naqueles dias em que você estava cansado demais, ou com preguiça demais, ou ocupado demais pra buscar esses sonhos, ou mesmo pra lembrar que eles existiam? Talvez seja impossível determinar o exato momento em que elas surgiram. Mas foram esses os dias que trouxeram as mudanças. Foram esses dias que de alguma forma impactaram sua mente e seu coração e fizeram de você diferente. Que marcaram em sua personalidade novos traços, em sua mente novos pensamentos, em sua vida, novos caminhos e destinos. E foram também esses mesmos dias, pais de tantas mudanças, que mantiveram dentro de você aqueles sonhos que continuam iguais. Aqueles sonhos de coisas, pessoas e lugares que inundam seu coração. Aqueles que trazem sorrisos e lágrimas quando são mencionados. Aqueles que são enormes, mas que se ajeitam, se abraçam, se espremem e criam espaço para os novos. E como é sensacional a experiência do descobrimento. Algo que você antes não queria, ou pensava não querer, e que agora enfia o pé na porta e entra; entra em cada pensamento seu e toma conta de tudo. E você percebe que não é só mais uma ideia. Será que vai passar, como aqueles outros que vieram e ficaram por uns dias, como uma ideia fixa, quase uma obsessão, ou vai se aconchegar, criar raízes e te acompanhar pelo resto da vida, até mesmo depois de realizado, como aqueles outros? Dessa vez eu acho que fica. Esse eu acho que fica. Não é mais uma ideia. Já virou um sonho. Dos grandes. Pra sonhar junto. Como a vida muda. E como mudam as pessoas. E os sonhos. E como é maravilhoso olhar no espelho e reconhecer, naquele reflexo cheio de mudanças, os traços familiares de sempre. Aquele você de sempre. Ah, como a vida muda. E como é maravilhoso que continue igual.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
aniversário de namoro
Ele chegou cheio de sorrisos e histórias. Ninguém mais teve minha atenção naquela noite. Nos dias seguintes, parecia que alguém brincava com os nossos horários e nossos trajetos, pra ter certeza de que iríamos nos encontrar. Coincidência? Destino? Pode chamar do que quiser. O importante é que depois disso a gente percebeu que transformar encontros casuais em programas, palavras em carinho e despedidas em beijos era nossa única opção. Era o que a gente queria, o que a gente pensava, o que a gente sentia. Os programas viraram namoro, que se transformou em noivado, que virou casamento. E nove anos depois daquele primeiro beijo, o que eu mais quero é continuar dividindo minha vida com ele. Mal posso esperar pelo próximo minuto.
segunda-feira, 19 de março de 2012
quando você menos espera...
Há 9 anos, eu acordei achando que seria apenas mais um dia. Mal imaginava a surpresa que a vida ia me fazer, e como aquela pessoa que eu conheci, com quem fiquei conversando a noite toda e que me deixou em casa com um abraço e um "foi um prazer te conhecer" ia mudar tudo. Eu não estava te esperando. Mas aí veio a vida e me trouxe você.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sem veRgonha
Eu não tenho veRgonha. Sim, veRgonha, com R bem grande, em destaque. PoRque o que eu quero dizeR é que eu não tenho veRgonha do meu sotaque, que parece ficaR bem grande, em destaque, já que vivo num lugaR onde falo de foRma diferente da maioria. Não tenho veRgonha de falaR assim, puxando o erre. Não tenho veRgonha quando peRcebem que sou de outro lugaR. Não me impoRto com o olhaR do taxista no retrovisoR quando peço pra virar à esqueRda. Já cansei de ouviR pedidos de ‘fala poRta, poRteiro, poRtão’. Não acho graça, mas não me impoRto em sabeR que tem gente que acha. Não, eu não tenho veRgonha do meu sotaque. Pra seR sincera, tenho mesmo é o maioR oRgulho. PoRque aprendi a falaR assim poR causa dos meus pais. E se as pessoas que eu mais admiro no mundo falam dessa foRma, poR que eu falaria diferente? Tenho oRgulho do meu sotaque, que representa a minha terra. A minha cidade. Um dos lugares mais lindos do mundo – e ceRtamente um dos meus favoritos. Não, eu não tenho veRgonha. Deve seR poR isso que, mesmo depois de tantos anos com todos ao meu redoR falando de um jeito diferente do meu, não me impoRto em deixar bem claro, a cada palavra, a cada frase, em cada conveRsa, que eu não sou daqui.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Hora de ir pra cama
Nunca tive problema pra dormir. Se me aconchego no ombro do Yuri enquanto vemos TV ou se minha cabeça encosta no travesseiro, os olhos se fecham e o sono chega rapidinho. Nas últimas noites, tem sido diferente. Pelo ritmo da sua respiração, sinto que ele já dormiu faz tempo, e me esforço pra não ficar virando de um lado pro outro, pra que ele não acorde. Não sei se conta como insônia, mas o que não me deixa dormir são as ideias. É tanta coisa passando pela minha cabeça, tantos planos, tantos projetos, que demoro pra finalmente relaxar e deixar o sono tomar seu espaço. Penso nas pesquisas que preciso fazer pra saber todos os detalhes antes de colocar os planos em prática. Penso nas pessoas que quero envolver. Penso nos diálogos que quero ter. Atropelo o tempo e penso no que virá depois. Quero mudança. Quero agora. Quero fazer a diferença, pra que 2012 seja diferente. Mas, pra hoje, o que eu quero mesmo é que meu cérebro se acalme e entenda que não dá pra resolver tudo de uma vez. E que deixe o sono e os sonhos chegarem sem freio.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Causo das férias - o aniquim
Um dos lugares mais lindos que já vi. Um vilarejo de gente simples e acolhedora, cercado de águas doces e salgadas, além daquelas maravilhosas dunas de areia branquinha que ficavam dançando no ritmo do vento. Era nossa primeira manhã ali e a excitação seria visível se houvesse ali alguém a nos observar. O lugar é mais que um paraíso: é um paraíso particular. A não ser pelos poucos nativos que passam por nós de vez em quando, com olhar que mistura curiosidade e timidez, só nós dois. Caminhamos pela praia, passamos pelo mangue, pelos barcos dos pescadores e escalamos as dunas. Observamos o encontro das águas bem à nossa frente e, naquele calor de mais de 30°, o próximo passo era óbvio: um banho. Ele entrou primeiro. Vem logo. E eu fui. Fui entrando naquela água deliciosa, clarinha, quentinha. Ele ali, com aquele sorriso lindo no rosto, com cara de quem sabe que o único compromisso do dia é não ter compromisso nenhum. De repente, com um pequeno passo, tudo mudou. Meu foco não era mais curtir o banho de rio com o meu marido, ou aproveitar as férias naquele paraíso. O foco era a dor terrível que, de repente, gritava no meu pé. Pisei em alguma coisa. O que? O que? Sai da água, ele falou, preocupado, depois que eu gritei. Saí da água e ele apertou meu pé, na tentativa de tirar dali algum espinho ou ferrão. Um minúscula gota de sangue foi a única coisa que saiu daqueles dois furinhos quase invisíveis que agora faziam parte do peito do meu pé esquerdo. Que dor! O que será isso? Ficamos preocupados. E será que aquele incidente poderia atrapalhar o nosso passeio, que estava apenas começando? Consegue andar? Sim, eu conseguia. Doía muito, mas dava pra andar. Um casal de pescadores que encontramos pelo caminho deu o diagnóstico: aniquim. Nada de mais. Só 24 horas de dor. Deu 24 horas, a dor passa. Outros moradores a quem contamos o causo e mostramos o hematoma concordaram com o diagnóstico do primeiro casal. E, pelo que parece, estavam todos certos: o que depois encontrei no Google como niquim [sem o “a” dos nativos] é um peixe muito venenoso, que adora o encontro de águas doces e salgadas do nordeste. A picada do aniquim [eu sei, o correto é niquim, mas nos acostumamos a chamá-lo pelo mesmo nome que os nativos] não estragou nosso passeio. Fiquei, sim, um pouco receosa antes de entrar na água de novo, mas aquele calor, aquelas ondas, toda aquela maravilha me convenceram rapidinho que valia a pena. Doeu mesmo por 24 horas – ou até um pouco mais – mas nada que impedisse uma caminhada preguiçosa pela orla ao lado dele, apreciando o pôr do sol. E hoje, quase um mês depois, o que ficou foram as fotos e nossas piadinhas com o aniquim que, de acordo com o Yuri, deve estar morrendo de dor na coluna, depois de um pezão desses tê-lo esmagado enquanto ele descansava tranquilo nas águas de Mundaú.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A mesa
Vendedora simpática: “Você se casou agora?”
Eu: “Não... tem 3 anos e meio...”
Eu: “Não... tem 3 anos e meio...”
A expressão no rosto da moça deixou bem claro o que passou pela cabeça dela – e o que deve passar pela cabeça de quase todo mundo quando sabe que, depois de 3 anos e meio, ainda não temos uma mesa. Opa! Para tudo! Não temos? Ahan... *que rufem os tambores* Não TÍNHAMOS. É isto, senhoras e senhores! Uma nova era se inicia no lar dos Fávaro-Petronilho! Compramos a nossa mesa! Finalmente! Foram tantas refeições feitas no sofá, com o prato na mão ou em cima da almofada. O copo entre as pernas ou no chão, ao lado do sofá. Café da manhã, almoço, lanche, jantar. Só nós dois, parentes, amigos. Todo mundo já ia pra nossa casa avisado que tinha que comer era ali mesmo, no sofá. E eu mentiria se dissesse que não foi legal. Foi muito. Foi demais. Cada refeição ou guloseima que matou nossa fome e nossa vontade ali no sofá, de frente pra TV, foi uma delícia. Mas eu sempre tive aquele desejo grande de ter a nossa mesa. De poder escolher entre comer vendo TV ou num jantar à luz de velas que não tivesse que ser feito no chão, com uma bancadinha improvisada. Eu queria muito aquela mesa. E agora é só esperar mais 3 dias, e ela vai estar ali, toda linda, cercada por 4 cadeiras coloridas, completando nossa cozinha...
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