terça-feira, 9 de novembro de 2010

Novidade com nostalgia



Foi a nossa primeira vez como palestrantes. Veio o convite, veio a empolgação, veio a preocupação com o que dizer - e como dizer. Veio também a alegria de voltar ali, onde tínhamos vivido momentos inesquecíveis.
Definimos o conteúdo, criamos os slides, treinamos as falas. Passar por aquele portal e caminhar entre as amoreiras, que agora já deixaram de ser mudas e se transformaram em árvores, fez com que o nosso coração se agitasse. Mas já não era o nervosismo de fazer algo pela primeira vez. Era a emoção de fazer de novo aquele caminho, andar por onde passávamos diariamente, por 4 anos, quando aquele era simplesmente o trajeto até a nossa sala de aula. Foi sensacional passar alguns minutos ali, sentadas naqueles banquinhos, lembrando com muita saudade dos amigos e das risadas. Foi incrível reconhecer os funcionários que, depois de 5 anos, ainda estão ali. E mais incrível ainda encontrar colegas que são agora funcionários e que nos receberam como se fôssemos as palestrantes mais phodas do mundo da publicidade.
Adorei entrar no campus da PUC Minas Arcos e fazer algo pela primeira vez. De novo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Coisas de antigamente



"Eu sou do tempo em que a gente usava um diário
para escrever o que ninguém podia ler
e não um blog
pra todo mundo ler qualquer coisa que a gente escrever."

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pitoko Augusto


Aquela manchinha branca na testa definiu sua vida. Foi só por isso que ele, e não qualquer outro dos seus irmãozinhos, veio parar no meu colo. E porque fui eu quem o escolheu, sempre senti que ele era mais meu do que de todo mundo. Talvez por isso eu tenha topado passar tantas noites acordada, fazendo carinho naquela bola de pelo que se recusava a dormir. Será que foi pra tentar fazer com que dormisse que lhe demos a primeira bolinha? Puxa vida... como ele amava as bolinhas! O olhar de pidão do gatinho do Shrek poderia ter sido inspirado no olhar que ele nos lançava quando queria que jogássemos pra longe sua bolinha! Ninguém resistia. Mesmo quem não gostava de cachorro perdia alguns bons minutos jogando a bolinha de tênis e sorrindo enquanto ele a trazia de volta. Seu dilema era ganhar uma nova! Ele queria fazer a troca, mas não queria abandonar a antiga... e andava com as duas na boca!
Ele foi um dos meus melhores amigos naquela fase difícil da aborrescência. E o bom é que me ouvia por horas, sem fazer nenhuma reclamação ou dar conselhos que eu não queria ouvir – simplesmente chegava mais perto pra conseguir um carinho, e às vezes até cochilava! Eu me lembro de passar horas deitada no chão gelado da sala, ouvindo Backstreet Boys no CD Player [MP3? O que é isso?], e ele sempre ali, do meu lado. Se soubesse falar, certamente saberia também cantar aquelas músicas que ele tanto ouviu! Ele nunca foi muito de colo, mas sempre adorou que coçassem sua barriga – quando o carinho era bom, levantava as patinhas de trás.
Dizem que os cockers vivem bem com a cegueira. Acho que é verdade. Ele sempre sabia por onde passar, pra onde ir, sentia quando alguém se aproximava – e, acredito eu, até sabia quem era. Quando eu ia pra casa aos finais de semana, chorava feliz enquanto eu coçava sua barriguinha. Tenho certeza que sabia que era eu. Mas o tempo foi passando, e ele teve que se adaptar a muito mais do que a cegueira. Já não escutava tão bem, perdeu seu amigo com quem dividia o quintal há anos, teve que conviver com reformas na casa e perdeu alguns de seus pontos de referência. Enfrentou doenças e cirurgias, mas se recuperou pra poder continuar passeando na praça da igreja.

E agora, depois de quase 15 anos, consigo entender que foi melhor pra ele. Mas ainda não encontrei palavras pra explicar pro meu coração que faz parte da vida perder os melhores amigos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O que você faria?

Tem gente que faz contas. Outras buscam interpretação dos sonhos. Uns contam com a sorte. E tem ainda quem nem tentou, mas acha que consegue. O país inteiro de olho nos números. É a Mega Sena acumulada. 85 milhões. Uau... 85 milhões?! Eu sei muito bem o que faria com todo esse dinheiro... Compraria muito mais horas ao lado do meu marido, dos meus pais, dos meus irmãos. Transformaria os telefonemas em conversa cara a cara e as amizades virtuais em abraços. Compraria almoços com os amigos queridos – e não só por 2 horas, e não só às sextas-feiras. Compraria conhecimentos que a gente só adquire quando lê, ouve música, admira obras de arte. Compraria caminhadas na areia, mergulhos, sombra e água fresca. Reuniões de família sem ter que esperar chegar o Natal. Curso de inglês, francês, italiano, japonês – sem fazer matrícula ou entrar em uma sala de aula. Compraria silêncio pra poder me concentrar e finalmente passar pro papel o livro que já escrevi na minha cabeça. Eu compraria tempo pra aproveitar as coisas que o dinheiro não compra.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nesta data querida



Adoro acordar com ainda mais beijos e abraços que o normal. Adoro ligar pra minha mãe e ouvir no tom da sua voz uma empolgação contagiante. Adoro chegar na agência e ganhar abraço de todo mundo. Adoro presentes. Adoro almoço em uma mesa gigante, com os amigos mais queridos que reservaram um tempinho pra mim. Adoro ligações dos amigos que estão longe. Adoro e-mails cheios de carinho. Adoro me sentir abraçada por pessoas que nunca sequer encontrei pessoalmente. Adoro chegar em casa em plena terça-feira e ter um jantar romântico super especial, com direito a champanhe e brinde. Adoro aniversário. Adorei meu dia.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um telefonema pra alegrar minha terça

Impressionante como coisas tão simples podem ser tão poderosas! O telefone tocou. Outra pessoa atendeu. Era pra mim. Logo reconheci aquela voz, que parecia estar distante, e fiquei feliz com a ligação. E logo ouvi o quanto aquela voz estava ficando mais perto de mim. E fiquei mais feliz ainda.
O telefone tocou. Achei que não era pra mim. Não atendi. E agora, depois de desligar, fico pensando... se não tivesse deixado tocar tantas vezes, ainda mais cedo este telefonema teria alegrado minha terça-feira.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Nem sempre é igual


Tem dias que não são estragados por nada. Você se levanta com um sorriso e, na hora de dormir, ele ainda está ali, estampado no seu rosto. Pode ter havido discussão, podem ter reprovado suas ideias, seu chefe pode ter te olhado torto. Você pode ter pisado em uma poça, pode ter perdido uma nota de R$5 ou até ter ficado preso no trânsito. Mas tem dia que é diferente... Tem dia que pode ser estragado por um "não" que você ouviu, um ônibus que saía do ponto quando você virava a esquina ou ainda por uma ligação perdida no seu celular. Tem dia que pode ser estragado por aquela blusa que você queria vestir e estava suja, aquele e-mail que não teve resposta ou mesmo pela música que você não suporta, mas seu vizinho adora [e ouve no volume máximo, é claro]. É... Ainda bem que tem dia que é diferente.